Hora de Refletir. Num.01/2012




RESILIÊNCIA E MISSÃO


“Apeguemo-nos com firmeza à esperança que professamos, pois Aquele que prometeu é fiel.” Hb 10:23




Nos dias atuais, diante do impressionante movimento que o mundo faz promovendo mudanças velozes em todos os campos da vida humana e do planeta, preservar um ritmo saudável e um funcionamento emocional adequado tem se tornado um grande desafio para todos nós seres viventes.
O virtual invade nossa casa e nos obriga a perder de vista as linhas divisórias entre o trabalho e o descanso, o privado e o público, a família e o mundo. Como imagem e semelhança de Deus, O homem não herdou a capacidade de ser onisciente, contudo, é obrigado a estar “a par” de quase tudo que ocorre no mundo, incluindo as tragédias, e o faz em questão de segundos. Tamanho volume de informações que gera emoções das mais diversas, não encontra tempo para ser processado internamente como deveria ser.

E o que dizer de nossas catástrofes pessoais? “Que Deus nos livre!”, afirmamos imediatamente num raio de pensamento supersticioso. Mas a realidade é que além de todo cenário global que faz o nosso cotidiano nesse mundo do século XXI ser mais difícil, temos que enfrentar as nossas próprias perdas, assombros e lutas internas. Enquanto nos envolvemos com a Missão e caminhamos na direção proposta pelo Mestre, não estamos livres de sofrer grandes decepções, mortes, quebras de relacionamentos importantes, solidão, rejeição e desprezo, lutos profundos, doenças que nos limitam e assustam.

Como Cuidadora de Trabalhadores da Seara e na profissão de psicóloga, tenho tido a oportunidade de ver com meus próprios olhos flores brotar em terrenos completamente desolados e secos do coração humano. Como num milagre da fé, de onde não se esperaria nada mais, surge algo novo. É impressionante! Mas, também tenho tido a triste experiência de presenciar o contrário. Onde as iniciativas de apoio e as oportunidades são abundantes, contudo o solo da alma não se revigora e não faz reflorescer.

Como uma interminável aluna na escola da vida, sou a primeira a levantar o dedo e perguntar: O que leva seres humanos a superar os piores traumas, enquanto outros sucumbem aos mesmos?
Essa é uma pergunta disparadora que tem impulsionado por décadas pesquisadores da área das Ciências Humanas à investigação, em busca de respostas para o que passou a chamar-se de “Resiliência Humana”. Voltaremos a esse tópico mais a frente.
Antes, deixe-me ilustrar o assunto com uma história, que consta do meu catálogo de atendimentos aos amados trabalhadores. O nome da pessoa é fictício, mas a história é totalmente verídica. Com sua permissão:

Eram 5hs da manhã quando o telefone tocou. Isabel, uma mulher de meia idade, levanta-se da cama e corre pra atender a ligação. Do outro lado alguém explica: “Isabel, mantenha a calma, mas nessa madrugada o ônibus em que seu esposo viajava sofreu um grave acidente, e há muitos feridos que já foram conduzidos ao hospital mais próximo...”.  Pausa!

Como uma tempestade abrupta que nos pega de surpresa e inunda tudo em nossa volta, acontecimentos como esse adentram em nossa vida, sem pedir licença e nos impele para uma pausa forçada, que não gostaríamos de fazer.

Isabel e seu esposo atenderam ao chamado quando seus dois filhos eram pré-adolescentes. Em dois anos estavam todos no campo. Era uma família de modelo patriarcal. O pai, embora fosse um homem doce, representava o centro das decisões e iniciativas principais que envolviam a família. Submissão e companheirismo marcaram o relacionamento de Isabel com o seu esposo durante os 27 anos de casados.

Mas foi inevitável, a morte chegou a sua casa. Era uma viagem missionária, ele e outros irmãos em Cristo se foram para sempre. Alguns dos que sobreviveram ficaram traumatizados. Recentemente pude atender um deles que ainda carregava marcas dessa tragédia, mas com a graça do Pai já está no campo.

Meu encontro com Isabel se deu em dois momentos: No primeiro eu era uma palestrante falando em um retiro para trabalhadores do Reino. O seu esposo ainda estava lá. Lembro-me quando se aproximaram de mim risonhos, e ele mantinha o seu braço sobre os ombros dela. Isso foi há pouco mais de três anos. Eles estavam de férias no Brasil. Meses depois recebi a triste notícia do seu falecimento. Sem saber ao certo dos caminhos que Deus traçaria no futuro, tivemos o nosso segundo encontro em 2011, quando comecei o acompanhamento pré-campo de Isabel, que faz parte de uma das agências que assessoro na área do Cuidado. Isso mesmo, ela está voltando para o campo. Desta vez sozinha. Pela primeira vez estará sem os filhos, agora casados, e sem o seu companheiro.

Tenho refletido muito sobre os aspectos da vida desta mulher. O que faz do seu caminho uma jornada tão notável, frutífera e esperançosa, apesar da catástrofe? Ela é uma pessoa comum, tem fragilidades físicas que exige cuidado e tratamento. Tem limitações financeiras como a maioria dos trabalhadores brasileiros e tem sofrido em seu corpo as turbulências dos dias difíceis, como todos nós.
Tenho que admitir, ela fez da Pausa um momento de aprofundamento da sua fé no Senhor, e no meio dessa terrível tempestade, não se deixou submergir, mas caminhou sobre as promessas de Deus contidas em Sua Palavra.  
“Por isso não abram mão da confiança que vocês têm; ela será ricamente recompensada. Vocês precisam perseverar, de modo que, quando tiverem feito a vontade de Deus, recebam o que Ele prometeu.” Hb 10:36,37

Os últimos três anos foram para Isabel, de muita luta, negritude, medos e superações. Em pleno luto, Isabel resolveu ser útil mais uma vez. Inscreveu-se num curso técnico de enfermagem, iniciou um trabalho voluntário na base de sua agência, apoiou e casou os dois filhos, com árduo custo, editou e lançou o livro-biografia que seu esposo havia escrito antes de morrer. E não parou por aí. Nos meses imediatos ao acidente, cumpriu toda a agenda de compromissos e pregações que seu esposo tinha com as igrejas mantenedoras. Ufa!

Enquanto escrevo isso, tendo a pensar naqueles heróis da fé que temos nas Escrituras, imaginando-os como seres sobrenaturais. Mas eu sei que, assim como eles, ela é apenas uma mulher cheia de graça. Pois como filha, “aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu”, e foi aperfeiçoada. (Hb 5:8)
Voltemos, então, ao conceito de Resiliência, que é a chave para entendermos melhor como isso se processa.

O trabalho de Cuidado inclui o "objetivo de desenvolver no missionário a capacidade de ser resiliente e piedoso perante os desafios encontrados ao longo de sua carreira e vida. O ser capaz de lidar equilibradamente com o real sofrimento e sacrifício contidos no seu chamado, e, do outro lado, lidar com a real necessidade de suporte em suas vidas". (O´DONNEL & PRINS, 2006).

Aqui estão reunidos pontos importantes que juntos podem indicar um caminho de sucesso na Missão:
(1)    Desenvolver Resiliência; 
(2) Ser Piedoso; 
(3) Ter consciência do sacrifício contido na missão e, ao mesmo tempo, estar ciente da necessidade pessoal de suporte.

Por hora nos deteremos neste primeiro tópico, apenas. O conceito de Resiliência atualmente permeia diversas áreas da ciência, mas surgiu originalmente no campo da física e da Engenharia no século XIX. Indica a capacidade dos materiais resistirem aos choques, de suportar as pressões ambientais e ainda poder voltar a sua forma original.

No campo da Psicologia o termo foi aplicado inicialmente em meados da década de sessenta, século passado, introduzindo os estudos sobre a capacidade humana de produzir biológica e psicologicamente forças para superar as adversidades e mudanças na vida. Os elementos que induzem à capacidade do homem se adaptar as situações difíceis e ultrapassá-las começaram a ser foco de muitas pesquisas.
Para entendermos melhor o conceito e não cair em reducionismos na tentativa de explicar brevemente o assunto, teremos que considerar que há uma multiplicidade de fatores e variáveis que envolvem o fenômeno da resiliência no ser humano. Nesse campo nada é tão taxativo e padronizado, o próprio conceito induz a idéia de flexibilidade do sujeito ou da matéria frente à pressão sofrida pelo meio.

Colocando o foco sobre o universo missionário, temos em voga uma discussão de alta importância, tendo em vista que o próprio estilo de vida daqueles que são chamados para esta tarefa, já reúne desafios como: instabilidades diversas, perigos de perseguição, doenças e de morte, preconceitos religiosos e raciais, distanciamento geográfico da família e amigos, privações, entre outros elementos.
Vamos, então, refletir sobre o assunto a partir desses cinco pontos:

O que não é Resiliência?
  1. Resiliência não é um atributo fixo e inerente ao ser humano, que a despeito de qualquer coisa funciona como um gatilho pronto a ser disparado diante de adversidades que se apresentem. Se assim interpretarmos, quando esse gatilho não disparar, passaremos a deduzir: esta pessoa não nasceu para ser resiliente, é frágil, ”tadinha”. Também não está ligado ou dependente do temperamento humano. A verdade é que haverá sempre uma variação na resposta que o indivíduo é capaz de fornecer, que depende de muitas variáveis internas e externas, tais como, o ambiente, a circunstância, o meio social, e principalmente, o modo como o sujeito se relaciona com tudo isso.

  1. Resiliência é diferente de Invunerabilidade. Enquanto a primeira se aplica a um fenômeno dinâmico, a segunda reflete a idéia rígida de invencibilidade, como se o humano pudesse ser inatingível. A habilidade de superar crises não implica em inatingibilidade. Depois de enfrentar grandes mudanças, adversidades ou tragédias, as dores e a marcas na alma são inevitáveis. Não há como sair intacto dessa vida. Somos seres vulneráveis e totalmente afetáveis. Mas mesmo assim, podemos ser resilientes.

O que é Resiliência, então?

  1. Resiliência diz respeito ao modo como me relaciono com as pessoas. Em situações em que nos vemos no nosso limite, reconhecer que os outros podem ser fontes de apoio e segurança pode contribuir no desenvolvimento de um ser resiliente. Não se é resiliente sozinho. Porém, buscar apoio no outro não significa lançar sobre ele(a) uma responsabilidade que é totalmente minha, de enfrentar as adversidades e superá-las. Os outros podem servir como apoio, mas não são responsáveis diretos pela nossa infelicidade e não deveriam ser culpabilizados por isso. Enxergar as pessoas como bênçãos ao meu favor e não ao meu serviço, faz muita diferença.

  1. Resiliência tem a ver com o modo como interpreto a vida. Um modo não realístico ignora ou supervaloriza os acontecimentos.  Olhar a vida de frente significa interpretar os acontecimentos dentro das dimensões em que se apresentam. Outro erro é encarar a vida de um modo negativista. Isto impede a criatividade de fluir naturalmente, fecha as portas da superação e veda os olhos para a luz no fim do túnel. Então, ser realístico, criativo e positivo pode abrir possibilidades para atitudes de resiliência.

  1. Finalmente, Resiliência está ligada ao modo como vivencio a temporalidade da vida: Passado, Presente e Futuro.  Algumas pessoas ancoram no passado e colecionam tragédias, para terem o que contar. Então, sentar perto de alguém assim pode ser um convite para ouvir quão sofrida e traumatizada é essa pobre criatura. Normalmente saímos desse tipo de encontro cheios de pena ou cheios de raiva por ver alguém imbuído de autocomiseração e autocentrismo. Sim, de fato a vida é uma coletânea de acontecimentos bons e ruins. Se a tendência for de eternizar os acontecimentos ruins ou mesmo os bons que aconteceram no passado, corremos o risco de estar vivendo defeituosamente o presente e produzindo um futuro sem grandes mudanças e expectativas de crescimento. Se eu desejo mais a memória da tragédia do que a possibilidade da superação, para atrair a comoção do mundo, não há chance para um caráter resiliente, nesse caso.

Podemos, enfim, dizer que resiliência é um fenômeno dinâmico que pode ser desenvolvido e implica numa relação afetiva, social e cultural do homem com o mundo. É também uma construção que continuamente se dá através do aprendizado formal e informal durante toda a vida do sujeito. Você pode ser Resiliente no desempenho da Missão!

(...)
A resiliência é a arte de navegar nas torrentes.
Um trauma empurrou um sujeito em uma direção que ele gostaria de não tomar. Mas,
uma vez que caiu numa correnteza que o faz rolar e o carrega para uma cascata de ferimentos,
o resiliente deve apelar aos recursos internos impregnados em sua memória,
 deve brigar para não se deixar arrastar pela inclinação natural dos traumatismos que o fazem navegar aos trambolhões,
de golpe em golpe, até o momento em que uma mão estendida lhe ofereça um recurso externo,
uma relação afetiva, (...) que lhe permita a superação.
(Cyrulnik, 2004,p. 207)







Bibliografia Consultada:

Cyrulnik, B. Os patinhos feios. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

O`Donnell, Kelly. Cuidado Integral do Missionário: Perspectivas e práticas ao redor do mundo. Londrina: Descoberta, 2004.

O´Donnell, Kelly and  Prins, Marina. Global Member Care Resources (MemCa): Member Care Flows – Africa.  Nairobi, Kenya: Mission Comission, World Evangelical Alliance, 2006.

SEQUEIRA, Vânia Conselheiro. Resiliência e abrigos. Bol. - Acad. Paul. Psicologia, São Paulo, v. 29, n. 1, jun. 2009.

YUNES, Maria Ângela Mattar. Psicologia Positiva e Resiliência: O foco no indivíduo e na família. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 8, num. esp., p. 75-84, 2003

WALSH, F.  Strengthening family resilience. New York; London: The Guilford Press, 1998.

Direto do OASIS

Pois é,

Desta vez escrevo do meio do cerrado brasileiro em Goiás, num lugar chamado propositalmente de OÁSIS.
Última vez que postei estava em campos africanos ainda. De volta ao Brasil, e já bem readaptada, eu acho rsrs, vivo uma nova rotina de vida. Nunca pensei que os caminhos de Deus me levaria a tais estradas, mas aqui estou eu. Este é lugar seco, chega a ressecar o nariz, mas é da alma que estamos falando quando nos referimos a missão Oásis.
Fundada há mais de 10 anos tem atuado na área do CUIDADO AO MISSIONÁRIO, tendo uma linda, simples e aconchegante propriedade rodeada de mato e terra vermelha. Este tem sido um lugar de renovo para muitos dos nossos trabalhadores que servem nos campos espalhados pelo mundo.
Por duas semanas estarei aqui servindo na área de psicoterapia breve para os casais inscritos para esta temporada.
Que prazer tenho sentido em estar vivendo o propósito de Deus para minha vida. Pela primeira vez vivo uma fase de plena satisfação e convicção de chamado e campo. Sabe quando as duas coisas finalmente se juntam... é isso aí. Durante os 15 anos anteriores vivi numa estrada de serviço no Reino, mas sempre com a sensação de estar me preparando para algo que viria mais na frente.
Foi e tem sido muito lindo o descortinar de Deus para esse novo. Estou como quem sonha, mas de olhos bem abertos para apreciar, aprender e saborear cada novo dia nesta nova estrada.
Ele, o Amado, o Mestre, o infalível e sempre presente Amigo Jesus, está comigo e isso é o que importa. Todo o resto vira paisagem. E olha que apensar da sequidão, é uma paisagem linda!

Deus os abençoe amigo leitor. Que Ele mesmo te leve a novas e lindas paisagens, enquanto vives de passagem como estrangeiro nesta terra.

Até mais,
Veronica Farias

De Volta ao Brasil, a Missão Continua.

Abril de 2011
Caros Amigos e Irmãos

Após alguns meses volto escrever-lhes trazendo novas reflexões e notícias do nosso projeto de CUIDADO AO MISSIONÁRIO. Aqueles que vêm me acompanhando sabem que retornei do campo africano final de Outubro/10. Lá estive realizando pesquisas, atendimentos psicológicos, palestras e visitas aos missionários brasileiros espalhados nos quatro países por onde pude transitar: África do Sul, Moçambique, Quênia e Malaui.
Somou-se à experiência e vivência transcultural, o contato diário com uma grande variedade de culturas, costumes e línguas que colorem a grande África. De fato foi um tempo inesquecível, que deixou marcas profundas, permitindo-me ampliar a concepção de Vida e de Missão. Tento resumir tudo nestas duas palavras, na perspectiva de que uma reflete-se na outra de modo tão profundo que seria impossível separá-las.
Tenho aprendido com o Mestre ao longo dos anos, que vida sem Missão não é vida, é passar o tempo, é cumprir meramente um ciclo inevitável do nascer ao morrer, é freqüentar e ocupar espaços no mundo, sem sentido e sem legado eterno. Lembro-me do Rick Warren quando diz que “Nada é mais importante do que conhecer os propósitos de Deus para sua vida, e nada pode compensar o prejuízo de não conhecê-los.” Pense comigo, vida sem convicção e exercício da Missão é pura omissão perante Aquele que nunca se omitiu, ainda que isso tenha Lhe custado tudo. Perceba que em todo tempo, a cada dia e situação, o Espírito sussurra e nos pergunta no íntimo: Missão ou Omissão: o que você escolhe fazer?

Adaptação e Impressões:
Enquanto estive ocupada em território estrangeiro, lutando para adequar-me a um mundo estranho, e transitando em busca dos missionários aonde quer que eles estivessem, desenvolvi algumas categorias de novas percepções a respeito do mundo missionário. Algumas muito me alegraram, outras, porém, me provocaram tristeza e até choro. A complexidade e diversidade presentes no mundo missionário são muito maiores do que eu jamais pudera imaginar enquanto missionária no Brasil.
O que se pode ver nos campos africanos a todo instante é uma inesgotável carência do Evangelho e da presença de igrejas seriamente comprometidas com a pura Palavra de Deus, livres da influência da feitiçaria e crendices. A pobreza que todos nós estamos acostumados a ver pela mídia existe, contudo, a escravidão às crenças tradicionais dos antepassados e a miserabilidade da corrupção atuante desde as camadas mais pobres até as mais ricas, é uma desgraça que impede os países africanos pós-guerra de crescerem em todos os sentidos.
Este tem sido o grande desafio dos missionários das diversas nacionalidades que adentram nos campos africanos em busca de levar o Evangelho. Lidar diariamente com a frustração, o engano, a falta de veracidade nas relações com os nacionais, a limitação de recursos suficientes e de mão de obra missionária preparada para a realidade transcultural, é esgotante. Além disso, com quem compartilhar as emoções mais profundas que se acumulam durante os anos de campo? Com a equipe que também se sente esgotada? Com a igreja enviadora? Mas será que estão abertos e preparados para ouvir tudo que eles têm a dizer, e, depois disso ainda continuar apreciando-os e sustentando-os?
Diante de cada uma dessas situações e auto-questionamentos a confirmação do meu chamado foi sendo fortalecida. Alguma coisa me cabe fazer nessa imensidão de necessidades que acometem os nossos missionários no campo. Alegrei-me por ter dito sim ao Senhor, e por perceber, a olhos nus, que não nós com todo nosso esforço, academicismo, tecnicismo e síndrome de heroísmo realizamos alguma coisa relevante neste mundo de missões tão desafiante, mas apenas a abundante graça de Deus insistindo em agir em nós e através de nós, o faz.

Missão em Ação:
Minha pesquisa para a área do Cuidado oficialmente foi realizada com uma amostra de 70 missionários brasileiros que me receberam durante minhas incursões em diversas cidades destes quatro países citados. Contudo, um número bem maior, talvez em torno de 100 missionários entre brasileiros e estrangeiros, teve em contato mais direto comigo, aos quais escutei, ofereci atendimento breve, visitei para encorajamento e até encaminhei para tratamento. O meu tempo de estágio transcultural na África acabou quando pisei o solo brasileiro. Mas o meu aprendizado a respeito dos processos vividos por um missionário que deixa a sua terra para cruzar fronteiras, ainda continua.

A Reentrada:
Passados cinco meses da minha chegada em Recife, sinto que o tempo ainda não foi suficiente para apurar internamente tudo que vivi em campo e realinhar com os passos futuros. Como todos aqueles que retornam, tenho sofrido os reveses de deixar para trás novos amigos formados, um mundo e um povo diferente que passei a apreciar, uma forma intensa e prazerosa de exercer a minha missão, e ainda, partes de mim que só pude conhecer lá em campo africano. Tenho saudades. Ainda procuro encontrar o novo compasso em que minha vida deve andar aqui em terras brasileiras. Mas como boa aprendiz que tenho tentado ser, tenho procurado respeitar o tempo hábil para tudo.
Continuo achando que não há melhor forma de vida do que esta que tenho experimentado enquanto caminho com o Mestre para os mais diversos lugares que Ele tem me levado, tanto no mundo, quanto na alma. Continuo me regozijando NELE.

Pelo que orar?
A Base para o Cuidado: Meu antigo consultório já foi reorganizado graças a Deus. Desde início de dezembro/10 voltei a clinicar no mesmo endereço. Atualmente estou dedicando dois dias por semana aos atendimentos, dando prioridade aos missionários em preparo e em fase de envio. Uma equipe também está sendo formada, conforme orientação do Senhor, para partilhar comigo de modo mais direto desse grande desafio de organizarmos uma Base para o Cuidado. Quanto aos próximos passos estamos pondo em oração e aguardando NELE.

Irmãos, esse é um empreendimento do Senhor para o mundo de missões, não tenho dúvidas. Conto mesmo com suas orações, canal pelo qual Deus escolheu para nos revelar Sua soberana vontade e firmar nossa dependência NELE.

Se desejar ter maiores informações sobre o projeto, por favor, entre em contato comigo. Você também pode acessar o site www.comunidadeamiga.com.br.

A todos que sonham junto comigo com um mundo missionário cada vez mais amplo, mais forte, mais bem preparado e melhor cuidado: Um grande e afetuoso abraço,
Mis. Verônica Farias

Encontro de Trabalhadores no Campo

PROJETO APOIO EMOCIONAL DO MISSIONÁRIO
Estágio Transcultural na África


Caros leitores

Estou vivendo o último trimestre do meu estágio transcultural em países da África. Tenho o coração cheio de gratidão por tão grandes coisas que o Senhor fez nestes meses.

Deixei a África do Sul início de julho, segui para o Quênia e depois desci para Moçambique onde estou há 1 mês trabalhando. Aqui tive o privilégio de realizar um sonho: um Encontro para Missionários em Campo Transcultural. Foi uma bênção reunirmos cerca de 30 irmãos que servem em Moçambique em diversos distritos, como Maputo, Machava, Zimpeto, Beira, Xai-Xai, Inhambane e Nampula.

Foram dois dias ministrando e escutando os amados missionários com ricas experiências. Deus seja louvado por esse tempo de encontro e aprendizado uns com os outros.Tivemos muita dificuldade no período de preparar e fazer acontecer o Encontro, mas o Senhor mostrou-se soberano e tudo pode seguir conforme Sua vontade. A bênção ainda foi maior do que eu havia esperado. Ao final deste evento, alguns missionários interessados na área pastoral, decidiram continuar os encontros com o grupo aqui em Maputo. Maravilhosa graça de Deus sobre todos nós!

Semana seguinte fui convidada para ministrar três dias na Jocum-Machava onde estão realizando a escola de treinamento ETED. Embora estivesse fora da agenda programada, pude atender ao convite com muito prazer e ministrar 12hs de aula para os alunos, tanto nacionais de Moçambique e de Ruanda, como brasileiros. Tempo extra também foi dedicado para escutar àqueles que necessitavam de alguma orientação, suporte emocional e encorajamento.
Permaneço mais alguns dias em Moçambique, até cumprir meu último compromisso de atender às necessidades emocionais de uma família missionária, a pedido de sua organização no exterior.

E assim o braço de Deus se estende por todo mundo em favor daqueles que a Ele entregam as suas vidas em serviço transcultural. Fico muitíssimo feliz em fazer parte desta grande rede no mundo de missões.

Fiquem na Paz Daquele que nos fortalece e nos ama incondicionalmente.

Orem por este ministério!
Mis. Verônica Farias

Campos Visitados ao Sul de Moçambique

Caros irmãos e amigos leitores,

Graças a Deus mais uma etapa do meu tempo transcultural foi cumprida. A segunda viagem de pesquisa e visitação aos missionários em campo pôde acontecer. Todo o trajeto planejado foi cumprido.
Durante 30 dias duas províncias da África do Sul (Johhanesburg e Nelspruit) e mais três de Moçambique (Maputo, Matola e o distrito de Machava) puderam ser contempladas com o projeto. Ao todo foram 25 entrevistas realizadas e conta-se pelo menos mais 10 visitas informais sem preenchimento do material de pesquisa. Ainda algumas organizações e projetos missionários foram alvo de visita e conversa com os líderes: Em África do Sul a “Acts Clinic” para tratamento de Aids e Tuberculose que estão entre as maiores causas de morte da população; a “ASM – Africa School of Missions”. Ambas lideradas por missionários estrangeiros e localizadas em Nelspruit - White River.
Em Moçambique visitei e dediquei alguns dias aos missionários da Base de Jocum-Machava composta de uma liderança multicultural: um casal de brasileiros, uma porto-riquenha e uma sul-africana. Ainda projetos como Arco-íris e Casa das Formigas (já com liderança nativa), há mais de uma década trabalhando na Educação e Profissionalização da grande população de órfãos no país.

Desta vez, diferentemente da primeira viagem em Set/09, Deus havia me reservado experiências mais amplas que incluíam tanto o acolhimento aos missionários solteiros e casados, quanto às lideranças. Neste último caso o trabalho precisou ser feito com muito cuidado preservando o status de cada um e proporcionando melhora nas relações de ambos os lados. As sugestões para melhor funcionamento foram bem recebidas pelos líderes e imediatamente aplicadas.

Contatos também foram feitos com profissionais cristãos da área de psicologia residindo em Moçambique. Isto tinha se tornado causa de minhas orações desde a primeira viagem quando percebi a necessidade de alguns missionários continuarem em processo terapêutico após minha partida. Deus me respondeu tão logo. Missionários fruto das minhas visitas já estão sendo assistidos por esta parceria de trabalho. Continuo orando para que possamos ter suporte confiável e acessível em várias partes do mundo para os missionários em situação de crise.

Muitas intempéries aconteceram durante a viagem, e nestes momentos, pude de fato sentir a superioridade do poder de Deus se manifestando muitas vezes em meu favor. Pude refletir também no quanto é importante e ativa as orações dos santos. A igreja orando pode muito em sua eficácia contra os poderes das trevas. Estes campos por onde passei são cidades repletas de feiticeiros, os curandeiros exercem uma influência muito forte e explícita sobre toda a sociedade e mesmo dentro das igrejas, os líderes e membros nacionais ainda recorrem a eles por muito tempo. A presença islâmica também é muito forte e influente. Nesse contexto espiritual, é muito comum ouvir os missionários reclamando de cansaço físico inexplicável e adoecimentos que sentem ser provenientes do campo espiritual. Pude eu mesma experimentar isso nas duas viagens, e discerni no espírito do mesmo modo.
Bom irmãos, não tenham em mente que a distância nos separa. De fato estamos distantes, mas não separados. O propósito único de alcançar vidas através do fortalecimento dos nossos missionários e líderes em campo é o mesmo diante dos céus. Portanto, continuem participando comigo em orações para que Deus nos abra as portas certas e nos direcione os próximos passos. Ao final de julho temos planejado fazer a última viagem para fins de pesquisa e visitação. As novas informações me levam a pensar que devo permanecer no continente africano e explorar um campo mais ao norte. Vários contatos já têm sido feito no intuito de identificar o melhor país para os objetivos desta fase do projeto.

Fiquem na Paz dAquele que merece toda Glória!
Mis. Verônica Farias
verasfarias@gmail.com
Skype: veronicasfarias

Delighting in walking with God

PROJECT: MISSIONARIES´ EMOTIONAL CARE
Missionary - Psychologist Verônica Farias

Delighting in walking with God


Dear Friends,

I´m proceeding to learn how difficult and interesting it is to live in another culture, and all the implications on the emotional, spiritual and physical health. I have experienced emotions often oscillating, the soul crying out to God constantly, and the body replying with exhaustion. In spite of this, my very being thirsts more for God and of His ways.
I have seen that our Love for God overcomes all of the weakness and uncertainties. As well as vulnerability which is a human condition which also affects those living a life based on faith. Actually, there is absolutely nothing extraordinary in this group of Christians who left their land, church, family and homes to go where the Lord has challenged them. They are usual people with questions, frustrations, dreams and expectations about their lives and their futures. They have routine lives the same as everyone has. Then the mission field is an ordinary place and not the dream environment people sometimes imagine it to be.
Regardless of their ministerial calling which sometimes includes risks and uncomfortable situations, they are not facing all these without fear, but bearing in mind this is the only way to delight in God and in oneself as well.
I have found out through the interviews and therapy with transcultural missionaries that, in spite of the defiant context of the lives that they are living, there is an enthusiasm and joy in their faces while they´re describing their ministries. Actually I share their feelings of cheerfulness wholeheartedly.
I can conclude that the delight of whom we serve don´t refer to a place or office, but rather, to a walk with Christ in these ways, and we play an immensely privileged part in introducing people to the knowledge of the glory of God.
Personally, my challenge is living like them and figuring out their feelings, behavior and thoughts. My land is, however, the missionaries and their lives wherever they are. My ministry is empowering them to become emotionally capable to carry out the Mission.
Therefore, I invite you once again to pray about me and this ministry. It’s a great contribution that you can make in my life. I need to keep the focus on Jesus and be obedient to His direction.
Please, pray for my next journey in April. I´m going to travel to the different cities in South Africa and Mozambique, visiting missionaries in their contexts of ministry. Pray for the financial support of these trips, for my health and the protection of God wherever I go. I also need to depend on God to be wise in my counseling work.

With Thankfulness, Joy and Faith,
Veronica


About me:
I am from Brazil, Recife-PE (Northeast). I´m dedicated full time to the ministry as leadership in Evangelism and planting church. I´m also serving as a psychologist. At this time, I´m joined to the Kenilworth Community Presbyterian Church in Cape Town.
If you need more information or want to become a partner in this ministry, please contact me:
E-mail: verasfarias@gmail.com
Skype: veronicasfarias / Mobile: 027 71 2338118

O tão sonhado campo é, enfim, um lugar comum...

Meus querido amigos,

Tenho prosseguido em aprender como se vive numa outra cultura e tudo que isso implica no nosso emocional, espiritual e físico. As emoções oscilam, o espiritual clama por Deus constantemente e o corpo corresponde a todas essas mudanças com exaustão e às vezes enfermando. Mas como uma só porção, tudo em mim tem desejado mais de Deus e de Sua vontade cumprida.
Tenho aprendido entre outras coisas, que o amor a Deus supera todas as nossas fraquezas e incertezas, e que a vulnerabilidade é uma condição sempre presente em quem avança com fé na trajetória proposta pelo Espírito Santo. Que não há nada de extraordinário nesse grupo de cristãos que deixa a sua terra, igreja, família e bens, para ir aonde o Senhor ordena. São pessoas comuns, cheias de perguntas, dúvidas sobre o futuro, saudades do que deixou, lacunas a preencher e uma rotina comum a cumprir.
O tão sonhado campo, enfim, é um lugar comum em alguma parte do mundo. Se por um lado tenho visto que o deslumbre sonhador com o campo missionário, como se isso fosse te elevar a uma posição humana especial, quase sempre leva a frustração e desânimo. “Ah, então é só isso?”. Por outro lado, o que a nós parece um ato de extrema coragem e destemor, para o missionário é apenas um encontro com a sua própria satisfação e tremenda alegria em cumprir a vontade de Deus.
“Eu amo viver no Egito...”; “Mesmo tendo passado por terremotos, eu me sinto em casa na China, não quero deixá-la...”; “Acho que quando chegar ao Oriente Médio finalmente me sentirei realizada, vou encontrar o povo curdo, o meu povo...”. São frases assim que tenho escutado nos meus encontros com missionários transculturais, e em meio aos relatos da difícil tarefa de viver em contextos tão desafiantes, muitas vezes solteiros ou com crianças ainda pequenas, um grande sorriso e um contagiante entusiasmo se pode ver nestas pessoas por estarem exatamente aonde Deus as colocou. Eu compartilho totalmente desta alegria. A alegria deles é também a minha. Os desafios sempre se apresentam, mostrando o quão pequena(o) você é, mas a alegria do Espírito é de fato a nossa força.
O campo é desafiante, sem dúvida, exaustivo, requer muitos acertos com Deus e consigo mesmo, abnegação constante, mas é um lugar de extrema satisfação pessoal, afinal é o centro da vontade de Deus para nossa vida. Quem perdeu esse entusiasmo, que se sobrepõe as dificuldades contextuais do chamado, quem parou de sonhar com seu ministério, precisa avaliar-se, algo pode está fora de foco. Infelizmente, também tenho encontrado estes poucos que via de regra estão em crise. A alegria de quem serve não está nem no lugar nem na tarefa a realizar, pois uns evangelizam, outros ensinam, outros cuidam e encorajam. O gozo está em andar com Deus e compartilhar dessa imensurável tarefa de conduzir aquele pedacinho de mundo que lhe cabe, ao conhecimento da glória de Deus.
Por muitos anos o missionário transcultural foi mostrado portando dois estigmas: (1) Super-humano ou (2) Coitadinho-sofredor. Nem um nem outro. Eu diria, fracos, falíveis e certamente vulneráveis, mas exultantes por ver as grandezas de Deus se realizando em sua vida e através dela no mundo.
Pessoalmente, o meu desafio é aprender mais e mais sobre a vivência em campo incluindo todas as suas facetas. Também conversar e acompanhar emocionalmente o máximo de missionários transculturais possível. Para isso é necessário realizar viagens em direção a outros campos em busca desses agrupamentos. O meu campo é, pois, o missionário e sua vida onde eles estiverem.
Antes do meu retorno ao Brasil em outubro deste ano, tenho o objetivo de fazer mais duas viagens de apoio ao missionário. Uma em Abril (dentro da África) e outra em julho (indo para Ásia). Tenho muita necessidade das suas orações para que as viagens se cumpram bem.


Com muita Gratidão, Alegria e Fé.
Mis. Verônica Farias

Novos Rumos para 2010

PROJETO: CUIDADO EMOCIONAL DO MISSIONÁRIO
Fase: Treinamento Transcultural (2009-2010)

Cara Igreja, amados irmãos em Cristo, Paz!

O ano de 2010 começou com muita esperança e gratidão a Deus por tudo que ELE tem realizado em minha vida e a partir dela, neste tempo que tenho dedicado ao estágio de campo na África do Sul.
Algumas alterações foram necessárias no roteiro do Projeto. Isto reflete apenas no prolongamento do meu tempo de estágio e pesquisas em campo transcultural que estava previsto finalizar em 10 de jan. 2010. Em conformidade com as igrejas parceiras, estamos estendendo este tempo até outubro, ocasião em que estarei retornando para o Brasil para dar continuidade às fases seguintes do projeto, contando com a graça de Deus sempre.
Nosso projeto visa organizar uma Base de Apoio ao Missionário dando assessoria àqueles que transitam entrando e saindo do Nordeste para o mundo. Em fase de pesquisa no Brasil conhecemos alguns poucos trabalhos que estão sendo realizados no Sudeste do país, porém a região Nordeste continua desfalcada deste tipo de atendimento mais cuidadoso àqueles que se dedicam integralmente ao trabalho missionário fora de suas fronteiras.
Metas já alcançadas – Deus sempre nos surpreende fazendo além!
Em 2009, tive a oportunidade de me estender até Moçambique, visitando várias bases missionárias no sul do país, fazendo atendimento psicológico àqueles que solicitaram e ampliando o meu espectro da pesquisa do mestrado, com foco em missionários transculturais de fala portuguesa. Já temos 42 entrevistas realizadas. A visita a cidades do difícil campo moçambicano, resultou em outros atendimentos tanto via e-mail, quanto presenciais. Em dezembro e Janeiro, missionárias atendidas lá no campo, solicitaram prolongamento do trabalho terapêutico, e, aproveitando suas férias de campo, uma delas chegou a viajar até a África do Sul para isso.
Glória a Deus! Coisas assim, totalmente inesperadas dentro do planejamento do projeto têm acontecido, me fazendo confirmar o direcionamento de Deus para minha vida ministerial no Reino. Além disso, tenho sido desafiada a trabalhar na construção de melhores métodos para atendimentos tão curtos e tão focais, como é o trabalho de campo.
Mesmo aqui em África do Sul, tenho continuado a receber e-mails de missionários anteriormente atendidos ou direcionados por outros, para ter algum tipo de apoio emocional, nas fases em que vivem. Tenho dedicado tempo a este trabalho também de acompanhá-los de longe e orar por suas vidas.
É uma experiência muito rica, irmãos, completamente nova para mim e para os parceiros neste projeto, mas acreditamos que não nós, mas o SENHOR é que tem nos guiado nesta direção de investir nesta parte do Reino no mundo, que tende a crescer em suas necessidades.
Novos Alvos – Expectativa e fé Naquele que tudo pode!
Para 2010 temos o alvo de realizar duas viagens para fora do país, podendo dedicar um tempo de 1 mês (pesquisa e atendimentos) em cada um destes países que ainda não definimos. Estamos em oração. Pensa-se em um país africano e um asiático para enriquecer o estágio transcultural. Quem sabe, a tão sonhada China?
Continuo contando muito com as orações da igreja, pedindo a Deus orientação para essa nova fase, manutenção suficiente para realizar tais metas. Também muita sabedoria e saúde para desenvolver este trabalho com aqueles que neste momento carecem emocionalmente, mas perseveram no intuito de servirem ao Senhor no campo missionário, apensar das fraquezas.
Sou muito grata pelo apoio desta igreja, tanto financeiro para o andamento do projeto, quanto pessoal no envio de mensagens atenciosas e nas orações.
Continuemos juntos neste propósito de servir ao REI dos reis.

Em Cristo,
Verônica Farias
Skype: veronicasfarias
E-mail: verasfarias@gmail.com





Viagem de Apoio em Moçambique

Outubro de 2009
Aos poucos o projeto de cuidar da vida emocional dos missionários em campo transcultural começa a tomar forma. Ainda no Brasil, parecia um sonho muito distante e sem possibilidade de ser implementado. Contudo, Deus tem fornecido as primeiras peças e os cenários necessários para o trabalho. De uma coisa eu já estou bem certa, o campo é bem extenso e há muito serviço aguardando para ser feito nesta área.
Neste momento estou de volta a Cape Town onde desenvolvo os estudos da língua inglesa, grande ferramenta para este projeto, e por bondade de Deus, nesta semana iniciei junto a outros missionários um estudo bem básico da língua francesa. Embora cansada com as tarefas e o ritmo de vida que já tenho até aqui, não quis desperdiçar a chance de me introduzir em mais uma língua muito falada no continente africano. De posse de um bom inglês e um francês pelo menos básico, poderia viajar para vários campos desse continente conseguindo uma boa comunicação com o povo local e os grupos de missionários. Além disso, considero que talvez Deus tenha planos que eu mesma ainda desconheço.
Retornei de Moçambique em 10 de outubro, onde estive por duas semanas bem intensas realizando entrevistas e atendimentos clínicos a missionários de
diversas agências, denominações, estado civil e nacionalidade. Foi um tempo bastante produtivo em vários sentidos:
(1) para coleta de dados da pesquisa do mestrado, (2) para mim como missionária em estágio transcultural, e (3) para muitos irmãos que ali estão servindo e necessitando de ajuda psicológica, para entender melhor seus processos e se possível arrumar alguns sentimentos e adoecimentos emocionais, fortemente promovidos pelo estresse dos anos de campo.
Ao fim das duas semanas, tendo conversado com pelo menos 25 missionários, oferecido em torno de 30 horas só de atendimento clínico, além das entrevistas, organizado vários dados para pesquisa e feito diversas viagens no trecho que cobre três distritos (Beira, Dondo e Chimoio), muito cansaço físico, emocional e espiritual me acometeu. Contudo, retornei para África do Sul com duplo sentimento: o de missão cumprida dentro do que havia estabelecido como meta e estava ao meu alcance realizar em tão pouco tempo; e um grande pesar por saber que a situação que encontrei naquele pequeno trecho de Moçambique, se repete em diversos campos por este mundo afora.
Um pouco de Moçambique: Esta é a tradicional “capulana” (pano amarrado em forma de saia) bastante utilizado pelas mulheres moçambicanas. Tive que vesti-la para ir ao culto no domingo.
As edificações da cidade da Beira, todas nesse tom amarelo-cinza envelhecido, retratam o descaso do governo e do próprio povo, que após a retirada abrupta dos colonos portugueses em 1975, se apossaram das residências e vivem aglomerados, às vezes em altos prédios, sem sistema de água encanada ou energia elétrica.
No amor de Cristo Jesus,
Verônica Farias

"Apenas uma hora"

Outubro de 2009

Aos poucos o projeto de cuidar da vida emocional dos missionários em campo transcultural começa a tomar forma. Ainda no Brasil, parecia um sonho muito distante e sem possibilidade de ser implementado. Contudo, Deus tem fornecido as primeiras peças e os cenários necessários para o trabalho. De uma coisa eu já estou bem certa, o campo é bem extenso e há muito serviço aguardando para ser feito nesta área.

Ao fim das duas semanas, tendo conversado com pelo menos 25 missionários, oferecido em torno de 30 horas só de atendimento clínico, além das entrevistas, organizado vários dados para pesquisa e feito diversas viagens, muito cansaço físico, emocional e espiritual me acometeu. Contudo, retornei para África do Sul com duplo sentimento: o de missão cumprida dentro do que havia estabelecido como meta e estava ao meu alcance realizar em tão pouco tempo; e um grande pesar por saber que a situação que encontrei naquele pequeno trecho de Moçambique, se repete em diversos campos por este mundo afora.

Meditando sobre o assunto:
Apenas uma hora! Era só isso que o Senhor Jesus reclamava de seus discípulos enquanto sofria angústias profundas no Getsêmane, que antecedeu sua crucificação. “E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo?” (Mt 26:40). É bem estranho imaginar que o Criador e Rei do universo um dia necessitou da companhia de pessoas para suportar suas angústias. Respeitando as devidas proporções da missão e da natureza de Cristo, humanamente falando, esta me parece uma boa figura quando pensamos em tantos cristãos servindo em campos missionários, em situação de risco, esgotamento e extrema angústia, almejando compartilhar do seu sofrimento ao menos uma hora. Este é um ministério que tenho apreciado muito fazê-lo. É um trabalho difícil e totalmente diferente do que eu costumava desenvolver como liderança de igreja local. Por isso preciso aprender fazendo, não há outro caminho. E tenho mesmo muito que aprender vendo e ouvindo estes preciosos irmãos que se tornaram o meu campo missionário.

Agradeço a todos pelas orações, mensagens enviadas e até pelos telefonemas. Muito obrigada mesmo, tem sido muito importante para me reabastecer e me possibilitar passar por este estágio e ainda fornecer alguma ajuda àqueles que sofrem. Continuem orando pelo andamento do projeto, pelo estabelecimento das parcerias certas, planejamentos para o próximo ano, treinamentos, sabedoria para os atendimentos que realizo e segurança nas viagens. Orem pela minha saúde e vida com Deus. E finalmente, orem para que os recursos necessários cheguem até mim para serem devidamente aplicados na expansão do projeto.

No amor de Cristo Jesus,
Missionária-Psicóloga
Verônica Farias

PROJETO
Cuidado Emocional do Missionário
Skype: veronicasfarias
E-mail: verasfarias@gmail.com

Obs: Nenhum nome ou imagem dos missionários atendidos em campo serão publicados, por razão de sigilo e preservação da identidade dos mesmos.

De Cape Town para Beira

Olá queridos amigos,

Estou aqui na Beira, distrito de Sofala, localizado na região central de Moçambique. Consegui hospedagem na casa de algumas missionárias e assim ficou mais barato e aconhegante pra mim. Deus tem cuidado de tudo mesmo. O clima é bem quente, a cidade empoeirada e as construções bem envelhecidas, sem reparos na pintura. E assim tudo parece cinza desbotado. Transporte público aqui é um caos: precário, escasso e portanto lotados. você literalmente tem que lutar por um lugar no "chapa", nome dado aos carros velhos que transitam loucamente. Bom, pelo visto terei que abrir mão de parte das visitas, pois estudando melhor a rota vimos que seria muito dispendioso e bastante exaustivo porque teria que pegar vários transportes como esse ao longo do trajeto e muitos dias se passariam só na estrada. Vou usar Beira como base e daqui sigo para os distritos próximos (Chimoio, Dondo, Inhamatanda e Nampula) com até um dia de viagem. Assim poderei ficar mais tempo com os missionários que eu visitar nestes lugares. E tem bastante, de várias organizações (igrejas e agências), veteranos e novos no campo, casados e solteiros... Muito obrigada mesmo a todos vocês pelas intercessões, palavras de incentivo, além da ajuda extra que tenho recebido para poder cumprir com tais despesas. Se bem me conhecem sabem o quanto tou vibrando com tudo isso. Deus seja louvado por tudo que tem feito e ainda fará em nossas vidas! Um abraço bem apertado, Veronica

"Porque você veio quando Eu te chamei..."

Caros irmãos,
Com muito carinho paro mais uma vez alguns instantes para dedicar-lhes um pouco do meu tempo aqui em África do Sul, sabendo que ainda que distantes, servimos ao mesmo Senhor e ouvimos do mesmo Espírito. Sou aquela missionária cujo chamado soa um pouco estranho, não parece um ministério muito convencional, todos dizem “ah, é tão importante o seu projeto!”, mas não sabem bem onde e como encaixá-lo na estrutura eclesiástica, ou coisa assim... Não importa, esse é o único e claro chamado que Deus me fez, e aqui estou eu no caminho.
Nesta semana meu coração apertou um pouco por várias razões, naturais do campo, eu penso, e me reservei bem murchinha para ouvir ao Senhor. Foi o momento mais especial que já vivi aqui nesse lugar. Eu não estava diante das belas montanhas de Cape Town, nem da linda vegetação que a cidade conserva, ou do colorido do povo sul africano, apenas no meu pequeno espaço alugado, sozinha, cabisbaixa, o Senhor me falou: “Porque você veio até aqui quando Eu te chamei....” e continuou a falar-me ao coração reacendendo o ânimo e a coragem de seguir em frente. Mas esta frase não me saiu mais da cabeça, e me fez lembrar de imediato de minhas orações no Brasil, e, enquanto eu me debatia na incerteza do que seria de mim em uma terra estranha, eu havia dito: “Pai, eu vou porque sei que te encontrarei lá, essa é a minha única certeza e garantia. Eu não estou indo porque há manutenção, ou porque há necessidade, ou porque tenho uma lista de razões convencíveis, mas porque o Senhor estará lá junto comigo.” Lembro-me que nesse instante não importava mais o lugar para onde eu estava indo, mas o propósito. Então, “Porque você veio até aqui quando Eu te chamei...” virou uma canção para os meus ouvidos, todo o resto desapareceu, estava ali no solo africano apenas eu e ELE nesse maravilhoso e singular encontro de final de tarde.
Meus queridos, quero compartilhar com vocês na Devocional deste mês (este é o nome que tenho dado ao chamado relatório de campo), da maravilha que é ouvir ao chamado de Deus e obedecer prontamente, da magnitude que é encontrar o Senhor no lugar e no tempo que Ele marcou para ser encontrado, um encontro a dois, na intimidade permitida pelo sangue precioso de Jesus e pela habitação do Espírito Santo em nós.
Na intenção de formar uma rota de viagem, aproveitando o meu intervalo de curso aqui em CPT, fiz diversos contatos durante estes dois últimos meses com missionários brasileiros ou estrangeiros falantes da língua portuguesa, que trabalham aqui em África do Sul ou nos países vizinhos. A cartinha era dirigida aos líderes de bases missionárias e de campo, de diversas agências como APMT, AMEM, JOCUM, Parceiros em Missões, JMM, AIM. Graças a Deus recebi diversos retornos, tanto de missionários, quanto de líderes de Agência que agradeceram o meu interesse e disposição de visitar os seus missionários em campo, além de desenvolver uma pesquisa cuja temática irá, se Deus quiser, trazer um pouquinho mais de luz às organizações enviadoras a respeito das problemáticas emocionais do missionário em campo e de como podemos melhor cuidar dessa não menos importante parcela de Missões Mundiais.
Contudo, um dos retornos me chamou a atenção e tocou fortemente meu coração, pois alcançou a profundidade do meu chamado, reafirmando a minha fé de que estou de fato no caminho certo. Sem expor a identidade desse amado que me respondeu, ele dizia literalmente: “Você é muito bem vinda a ... (local) e creio que a sua vinda seja também uma providência de Deus. Até agora estou muito traumatizado ... (fato) e creio que a sua ajuda e a sua vinda no nosso meio estaria acontecendo no momento certo. Antes mesmo de ler o seu e-mail, eu já estava orando a Deus para que Ele me colocasse em contato com alguém assim da sua área. Portanto, é de Deus a sua vinda! Por favor não demore a vir...”.
Será que esse pedido soa familiar a você? No meu coração imediatamente a Palavra se confirmou e lembrei-me da situação do apóstolo Paulo em Trôade, enquanto em sua mente traçava possíveis rotas de viagem missionária, e sendo impedido pelo Espírito de um lado e confirmado do outro, recebeu a direção certa: “Passa a Macedônia e ajuda-nos.” (At 16:9 - leia o verso todo). Não preciso dizer que esta cidade se tornou a minha Macedônia e passou a encabeçar a minha rota de viagem neste tempo que estarei dedicando às visitas dos missionários em campo estrangeiro. Este pedido “ajuda-nos”, em outras palavras: “não demore a vir”, redirecionou minha rota, pois estava indo para o Sul e acabei girando para o Norte.
A pergunta que se segue não pode ser outra, senão: Para onde ou para o quê Deus tem te chamado? Que facetas da sabedoria e criatividade o Espírito Santo de Deus tem utilizado para chamar a tua atenção a respeito da rota certa a seguir em tua vida, a fim de servi-Lo e glorificá-Lo? Quantos encontros a sós Ele já marcou com você e pôde ter não a tua ausência, mas a tua humilde e devota presença? O chamado de Deus encaixa perfeitamente não na nossa capacidade, mas na nossa integral devoção de corpo e alma, sabendo que ambos serão provados no caminho e aperfeiçoados por Aquele que nos Chama e nos Ama, porque é fiel a Si mesmo.
Humm, maravilhosa e doce voz acariciando o meu espírito inquieto e quebrantado a espera Dele: “Porque você veio até aqui quando EU te chamei...”. O complemento fica por conta do seu encontro pessoal com o Deus da Missão e do Chamado. A Ele a glória sempre! Orem por esta viagem que estarei realizando daqui a poucos dias passando por várias cidades do país vizinho, onde os missionários já me aguardam. Até a próxima Devocional.

Aquele caloroso abraço,
Mis. Verônica Farias
Projeto de Cuidado ao Missionário
África do Sul

Somos Estrangeiros

Graça e Paz do Senhor Jesus a todos os amados!

Como todo bom missionário em atividade pelo envio da igreja, sinto-me convocada a prestar-lhes o tão conhecido relatório de campo. Gostaria, contudo, de aplicar um pouco de leveza nesta nossa comunicação que se dará a distância de aprox. 8.000km.
Talvez vocês não saibam mas, nestes meses o vento por aqui chega a soprar até 60 a 80km/h, a chuva vem junto não deixando escapar nenhuma parte do seu corpo gelado. Sombrinha não é aconselhável, a não ser que você queira ouvir notícias de que foi vista no ar de Cape Town uma Merry Poppins contemporânea. Preciso caminhar toda manhã cerca de 30 min. da casa onde estou morando até a escola de inglês a que estou vinculada. Mas graças a Deus, tudo está correndo bem: Estou bem instalada e bem relacionada com a família sul africana. Finalmente meu relógio biológico compreendeu que não está mais no Brasil e já não acordo no meio da noite, também consegui algumas adequações para minha alimentação, já que o povo só costuma fazer duas refeições por dia: café da manhã e jantar.
O que é notório e impressionante, culturalmente falando, não são estas usuais diferenças que já aguardamos encontrar, mas a segregação racial ainda existente entre brancos e negros, mesmo após 15 anos passados do Aparthaid.
Por traz de uma linda cidade, há muita coisa triste de se ver. Os bairros, lojas e restaurantes ainda são divididos pela cor da pele; ainda se pode ver em algumas ruas as grossas correntes que separavam o espaço permitido para o trânsito de brancos e negros; as famílias brancas sofrem de um pânico coletivo, trancafiando-se dentro de casa com janelas e portas sempre bem fechadas, com medo de serem atingidos por negros revoltados, como já ocorreu em anos passados. É uma cultura do medo. As 17hs comércio fecha, todos caminham pra casa e depois não se vê mais ninguém transitando nas ruas, a não ser, poucos veículos particulares.
Há uma população muito alta de muçulmanos em Cape Town. Eu por exemplo, moro em um bairro islâmico, há poucas quadras da grande mesquita. Posso ouvir a chamada da sirene para a oração três vezes ao dia. Mas ainda há outros bairros por onde já passei que são totalmente tomados pelos muçulmanos, com lojas, casas e colégios. Estrategicamente o Islamismo tem avançado por aqui, aproveitando-se da segregação racial. Quando os brancos deixam suas casas por causa de algum negro que se instalou próximo, temendo a desvalorização do bairro, as famílias muçulmanas se apropriam e assim têm ganhado mais e mais espaço físico na cidade.
Muitos estrangeiros transitam neste país o tempo todo. Por causa da pobreza e guerras civis constantes nos países vizinhos da África do Sul, centenas de refugiados chegam aqui ocupando a cidade sem ter estrutura financeira nenhuma para manter-se, enfrentando frio, fome e discriminação racial. Esse tem sido um grande problema para os governantes, e a meu ver, é um problema social que só tende a crescer, porque ainda não têm uma política específica para impedir a entrada ou pelo menos controlar um número que o governo possa suprir.
Com tudo isso, meus irmãos, em pouco tempo neste campo, tenho pensado bastante sobre o fato de ser estrangeira. Na semana passada fui convidada para trazer uma palavra no culto de língua portuguesa, que inclui missionários, estudantes brasileiros e refugiados de Angola, Congo e outros países de fala portuguesa. Foi uma rica experiência para mim, compartilhar na minha própria língua e meditar nas Escrituras dentro dessa diversidade cultural. Escolhi um texto que era bastante propício pra todos nós presentes:
“Pela fé Abraão peregrinou na terra da promessa como em terra alheia... porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador... confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. Porque os que falam desse modo, manifestam estar procurando uma pátria... Mas agora aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles.” Hebreus 11:8-16
Que grande oportunidade Deus tem me dado de apreciar as Escrituras na perspectiva daquele que deixa a sua terra e vive como estrangeiro. Havia algo em comum entre eu e todos os que estavam naquele culto, além de sermos cristãos ou apreciadores da fé cristã, todos nós ali éramos de fato estrangeiros peregrinando (de passagem) em terra alheia. Porém, o escritor de Hebreus nos conduz um passo à frente no que concerne a real situação humana de todos que compartilham da mesma fé de Abraão.
Não é estranho que todos nós estejamos sempre ansiando por algo que ainda não conseguimos alcançar? Quantas metas já estabelecemos em nossa vida, e ao chegar lá nos alegramos e no minuto seguinte já retornamos ao estado de necessitados de algo melhor, mais além? Quantas vezes, a despeito de tudo que temos, somos e construímos nessa vida, ainda nos sentimos inseguros, como se algo constantemente nos faltasse no alicerce? Quantas vezes peregrinamos em busca de algo que nem sabemos o que é exatamente, apenas ansiamos e ansiamos? Quantas vezes nos enchemos de coisas materiais em busca de suprir um anseio sem nome e sem tamanho?
Pensei fixamente na situação que a Bíblia nos apresenta usando a pessoa de Abraão. Ele estava em busca de algo que Deus o havia prometido, gastou sua vida nisso, e ao final (VS 13), restou-lhe a única certeza (Hb 11:1) de que o melhor ainda estava por vir, a promessa se concretizaria totalmente na eternidade, o constante sentimento de falta se preencheria por completo em Deus, no chão da pátria celestial, cujos fundamentos e alicerces foram estabelecidos pelo próprio Criador, e onde o sol e a lua tornam-se desnecessários (Ap 21:23) porque o próprio Deus a aquece e a ilumina com a Sua presença gloriosa.
Então, o nosso maior anseio é na alma e não no campo material, porque um dia expulsos da plena companhia de Deus, nos tornamos peregrinos, numa terra que não nos completa, até que O reencontremos e habitemos de novo com Ele. Queridos, essa é a real identidade e situação da igreja de Cristo: somos peregrinos! E se você faz parte dela, você anseia por algo superior, e, no seu íntimo, você aguarda por isso. Portanto, não é apenas a distância geográfica que nos torna estrangeiros, mas a distância espiritual que ainda nos afasta da total e plena presença de Deus, por causa do pecado que ainda habita em nós.
Meditem nisso, reavaliem o seu modo de viver, os seus planos para o futuro, os seus investimentos e as suas motivações. O que você tem aspirado vale a pena gastar a sua vida? Em que direção está aplicada a sua fé e sobre qual fundamento você se planeja? Convido você a orar pela sua vida, por mim e pela realidade da África do Sul. Até a próxima!

Um caloroso abraço,
Mis. Verônica Farias
Projeto de Cuidado ao Missionário
África do Sul

Cuidadora vai ao Campo


“... Se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as cousas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém.” 1 Pedro 4:11b.

Meus amados irmãos,
Gostaria de compartilhar com vocês as maravilhas de um Deus criativo, fiel e soberano. Alguns já me acompanham na vida missionária há muitos anos, outros só recentemente se tornaram próximos, há outros que só me conhecem de longe e ainda há aqueles que nunca ouviram falar de mim; a todos, com a mesma consideração, saúdo com a Paz de Jesus. É nesse precioso Nome que tenho posto a minha fé desde que O conheci. Em nada Ele tem faltado, conforme promete em Sua Palavra.
A minha gratidão é imensa, por saber e sentir que Ele está presente cuidando e mantendo a minha vida, nos dias altos e nos dias baixos, na clareza, ou na escuridão, Ele sempre está, Ele sempre diz: “Eu Sou!” Durante vários anos tenho trabalhado junto à IP de Casa Caiada (Pr Sérgio Lyra), desenvolvendo projetos missionários, especialmente para a capital e, nos últimos anos, para o interior. Recentemente me uni a IPG, que também tem se tornado muito amada em meu coração pelo carinho com que me acolheu e pelo exemplo de fidelidade a Deus. Temos trabalhado juntos com projetos nas áreas do Cuidado ao Missionário e Plantação de Igrejas no Interior.
Neste momento, porém, Deus tem me chamado para um pouco mais distante de vocês. Missões trans-culturais sempre estiveram em meu coração e de alguma forma sempre encontrei um modo de estar envolvida com isso. Contudo, esperei pacientemente o momento em que Ele, o autor de Missões e do Chamado, me convocaria para este outro lugar em sua imensa obra. Estou literalmente arrumando as malas e fechando todas as minhas atividades aqui no Brasil. Por um curto tempo de 7 meses estarei em viagem para África.
Os planos são diversos, mas espero em Deus, apenas no Seu poder, ser fiel naquilo que Ele mesmo planejou para essa temporada. Como é do conhecimento de alguns, tenho trabalhado com atendimento psicológico vinculando esta profissão às necessidades do Reino de Deus. Como boa missionária que sempre esteve em preparo para os campos (aqui, ali e ainda mais longe), sei bem o trilho das emoções, sofrimentos e alegrias que estes amados missionários enfrentam. Deus me deu a graça de transformar todo meu conhecimento acadêmico e teológico em obra missionária. Valeu a pena os anos de estudos. Agora vejo os frutos, ainda que iniciantes, do tempo e recursos dedicados. Mas não parei, continuo me preparando...
A África será mais uma escola. Estarei por lá aprendendo como eles (missionários transculturais) vivem. Quais são as suas dificuldades com uma língua, cultura e povo diferente. Estarei pesquisando sobre essa temática da adaptação cultural de missionários e fazendo contatos com bases de trabalhos nas regiões a que eu puder ter acesso, em países vizinhos. Estou totalmente disponível para o Senhor, como me coloquei lá no início, no momento da minha conversão e chamado. Mais uma vez, na virada de uma nova etapa da minha vida, nada me prende para atendê-lo. Estou fechando tudo, para abrir a nossa (minha e d’Ele) tenda em outra terra, e juntos realizaremos a Sua vontade.
Não há nada igual a este sentimento. não me sinto perdendo nada, nem deixando nada, apenas seguindo para mais um front, onde Ele já está a postos, soberano. Minha alegria é grande e tamanho é o meu temor diante dos desafios e das minhas limitações, mas meu coração está tranqüilo, guardado pela Paz que excede nosso entendimento e que só procede da fonte: Jesus. Espero mesmo contar com o carinho dos meus amados em suas orações e súplicas diante de Deus.
Estejam bem certos de que este projeto nos levará mais perto daqueles que a igreja não pode abraçar no campo, e que sofrem emocionalmente e esmorecem pelo próprio peso do trabalho e pela constante solidão. Este é o sonho e o desafio que Deus tem compartilhado comigo, e eu, ainda que assustada com o tamanho da proposta, assim como o profeta Isaías respondo: “Eis-me aqui, Senhor, envia-me a mim!” Deus abençoe muito a todos vocês! A minha gratidão.”

Mis Verônica Farias